Saturday, November 03, 2007

Noite tempestuosa

Estava escuro, a cama pouco aquecia esta noite gélida e tempestuosa, com as beiras da água a embaterem no parapeito da janela… Lá fora a luz da lua estava escondida por detrás das impiedosas nuvens que cobriam todo o horizonte… As brumas instalaram-se nas ruas, e com o frio a estremecer o meu corpo, refugiei-me no teu! Abracei-o sem demoras, envolvi-me com paixão, cobri-me de felicidade e calor, entrelacei os meus dedos nos teus longos fios de cabelo… Aqueci os meus lábios nos teus, imaginei os teus olhos a fecharem, enquanto os meus estavam enterrados nas profundezas do prazer… A noite era agora quente por baixo dos lençóis, lá fora a chuva continuava a cair, o som que se ouvia era proveniente das gotas de água, das folhas a mexerem ao sopro sincronizado dos ventos, os carros não saíram esta noite… Ela era minha e tua, nesta cama, nestas horas a amar…
Com as nossas faces apoiadas uma na outra, ouvíamos o mundo lá fora, e contemplávamos de satisfação este momento só nosso…
O quarto começou a queixar-se dos transtornos causados pela fúria da tempestade, e eu, triste e consciente, levantei-me com a amargura incurável e fechei a janela deste sonho a amar…
A vida não é senão a procura da contemplação, o desbravar da solidão, a tortura incessante e ofuscada pela desconsolada consciência da realidade!!!
A vida não é senão a consciência da morte…

Beijos e abraços a todos...

Wednesday, September 12, 2007

O regresso das tormentas

Ola a todos, o meu regresso demorou, mas a muito custo acabou por chegar.... Peço desculpa a todos aqueles que aguardaram por novos post's. Espero que comentem o regresso de novas tormentas, “aturmentadas” pela inequivoca batalha entre o espaço e o tempo....
As tormentas que em outrora foram o meu problema são agora a minha solução. Esta minha esquizofrenia desorganizada que perturba o meu já pensamento desorganizado questiona se o seu problema é a solução, ou se porventura a sua solução já foi o seu problema… a minha mente deprimida racionaliza a dor que se colonizou no meu corpo e que agora é uma flora residual instalada na triste coronária da amargura, que subitamente apaga a minha existência com um enfarte agudo da minha consciência, naquela dor crónica das lágrimas que beijaram as rosas que caiem como chuva…
Sinto um tormento ao pensar que eles são meus “irmãos”, sinto um desconforto ao pensar que eles são meus cúmplices, neste meu crime, neste meu rastejar pelos corredores da fantasia, da gloria e da magia. São eles que todos os dias me corroem um pouco da minha alma, da minha esperança e do meu orgulho. Sociedade que nos liga por cordões imaginários onde todos partilhamos dos meus direitos e dos mesmos deveres, sociedade utópica desenhada à semelhança da desgraça e da morte.
Sinto um tormento todos os dias ao acordar, uma desagradável sensação de inferioridade, de submissão para com a minha felicidade, que ficou dentro do ventre da minha mãe no momento do meu nascimento.
Sinto um tormento todos os dias ao deitar-me, uma angustia profunda e dilacerante que corrói a minha alma, que esquarteja a minha paciência e que me atira para mais uma noite de pesadelos, de sonhos aterrorizados com a realidade que me escapa, como que se aquela em que eu todos os dias sobrevivo não chegasse para me afundar na dolorosa sensação de infelicidade.
Para ser sincero, sinto um tormento só de pensar que existo, naquele pensar como prova de existência…
O navio vai passar, as ondas vão cessar e a areia vai parar…. Mas tudo quanto me acorda um dia vai morrer, talvez depois de mim, mas nunca antes de eu chorar todas as lágrimas com que eu enchi este mar.



Beijos e abraços a todos....

Friday, April 06, 2007

"Como vamos pagar as contas?"

Ola a todos,
antes de mais gostaria de pedir desculpas por nunca mais ter publicado nenhum post, mas acreditem que foi por escassez de tempo e de oportunidades. O post que se segue vem como sequência de um livro que li há já algum tempo, e após essa mesma leitura decidi realizar uma pequena reflexão que agora, aqui, neste espaço imortal, nestas penetrantes linhas do pensamento vos exponho, com a esperança convicta de que não há nada mais belo do que umas boas palavras nos momentos certos...
“Quanto tempo nos resta? Como vamos lidar com isto? Como vamos pagar as contas?”(Mitch Albom, 2003). A simplicidade existencial por todos nós representada, ganha a sua forma suprema quando confrontada com a morte. No livro “As terças com Morrie” de Mitch Albom é retratado de uma forma simples e pragmática toda a razão da nossa existência, toda a beleza natural que nos escapa por entre os dedos. Não se trata de uma obra prima, longe disso, no entanto, retrata uma situação clara para abrirmos as portas à nossa capacidade inteligível e à consciencialização de que afinal, toda as nossas vivências são repercutidas com a morte, e a partir daí nada mais podemos fazer, a não ser evidentemente, deixar algo de útil nesses últimos dias.
Após a notícia de que possuía uma doença degenerativa do sistema nervoso central, esclerose lateral amiotrófica, Morrie e sua esposa, questionavam-se sobre o seguinte: “quanto tempo nos resta? Como vamos lidar com isto? Como vamos pagar as contas?”. Estas três questões seguiram-se após o médico explicar em que consistia esta patologia e após dizer ao casal que Morrie iria morrer, uma vez que não existem tratamentos possíveis para atingir a cura e poder-lhe, por fim, salvar a vida. Foi-lhes dito igualmente que esta doença lhe iria destruir o corpo de uma forma “lenta” e “gradual” até morrer. Mas mesmo assim questionaram-se com estas três inofensivas, defensivas e desesperadas questões. Nada deve ser mais brutal na vida do que nos dizerem”caro amigo chegou a sua hora”… Mas o que mais me perturba com toda esta história é o “como vamos pagar as contas?”, obviamente que não me passam despercebidas as outras duas, mas o que mais me perturba é o facto de mesmo após a percepção de que a morte chegou, ou que está prestes a chegar de uma forma inglória, as contas a pagar serem um dos principais pontos a preocupar. É deveras triste que isto aconteça entre nós, é simplesmente degradante a ideia de que nada nem ninguém consiga viver dois segundos livre de contas, livre de numerários. Eu faço parte obviamente desta teia económica que não nos deixa tempo para mexer, mas no entanto, era interessante abordar esta questão… Como vamos pagar as contas quando soubermos que vamos morrer? Será que vamos pagar as contas?
A morte é, sem quaisquer dúvidas, o principal medo de todos os seres, é sem dúvida a razão primordial pela qual todos nós vivemos… Nada morre sem estar vivo. Mas porque será que este termo tão antigo, quanto a vida, ainda nos assusta? Não sei responder a esta questão, mas sei que após a informação que um individuo receba a constatar-lhe o facto de que vai morrer, a reacção não deverá ser agradável, ainda para mais quando sabe que vai ter que “pagar as contas”. É uma realidade com a qual todos estamos familiarizados, e mesmo sendo órfãos de benefícios fiscais (dignos de o serem), temos que contribuir directa ou indirectamente para a continuidade e regeneração social. É engraçado imaginar que no momento da nossa morte vamos estar a calcular todos estes números. Mas enquanto seres livres e responsáveis, é assim que funciona a nossa sociedade.
Por variadíssimas vezes assisti a discussões de elementos da mesma família a discutir a forma mais inteligente para pagar o caixão a um familiar que ainda se encontra vivo. Por inúmeras vezes assisti a irmãos se chatearem por a distribuição monetária proveniente dos pais não ser divisível por igual, entre todos. Afinal, o que é a morte nos dias de hoje? Será que os sociólogos e psicólogos estudam estas questões? Seria de todo interessante encontrar respostas sobre o que é a morte no final de “contas”.
É exequível imaginar a morte como o final de uma pessoa, e não a morte de mais uma pessoa. Ela é diferente em si mesma e de outra qualquer, ela foi responsável por mais um virar de página deste longo livro que é a vida, mas muitas vezes interrompido para outros capítulos, por este separador que é a morte.....

Beijos e abraços para todos...

Friday, December 22, 2006

Existencialismo

Ola a todos,
Por vezes sinto que todo o passado no qual me construí poderia ter sido outro, outro que não este, mas interrogo-me concomitantemente se seria tudo igual!? A resposta é fácil, mas sempre um pouco constrangedora...
Ser este “eu”, construído e reconstruído ao longo dos anos, é um processo inevitável de todo o ser humano, no entanto, sinto que ao lembrar-me de todos os pormenores, aqueles que apenas são guardados com duas ou três imagens, apaziguadas e adormecidas com o passar dos anos, fico repleto de sentimentos que senti outrora. É uma sensação por vezes arrepiante, outras vezes dilacerante e em outras ocasiões confortante. Aquelas imagens que ficaram guardadas nas nossas mentes retratam algo que as palavras nem sempre conseguem transmitir, ficamos portanto com um fácies adequado à respectiva sensação. A “fotografia” que está guardada no nosso cérebro é muito mais que um desenho, eu diria mesmo que é um sentimento ou conjunto deles configurados e compactados numa “fotografia”, como que se essa imagem ocupasse muito menos espaço do que todas as palavras, e que no entanto transmite a mesma mensagem.
Ao lembrar-me de todo o processo a partir do qual me fui construindo, sinto que andei por um caminho cheio de buracos, muitos deles que pisei, muitos deles que saltei, mas ao pisar cada um deles fez com que me atrasasse no caminho, mas fez também com que não pisasse muitos outros, mas será que esse pisar é uma forma simples e pragmática de “aprender e de apreender” em sociedade?! Não sei, é uma resposta simples, convincente?! Talvez, mas creio que não seja só isso. Creio que sim, que o perfeccionismo é a resposta mais adequada para toda a problemática do existencialismo. Penso que ao querer atingir a perfeição e não o conseguindo conheço os meus limites, e a partir daí delimito o meu campo de acção, o meu campo de intervenção. Talvez sejam os erros que condicionam toda a existência, e sendo esses mesmos erros bons e maus, eles irão desencadear toda uma construção pessoal e/ou intelectual, daí que sendo eles erros, não poderão ser conotados de apenas maus, mas também bons, porque uma vez que são fundamentais para a construção individual, naquele objectivo intrínseco de atingir a perfeição, eles são essenciais para toda a configuração da existência.
A razão pela qual eu me interrogo constantemente acerca do meu passado é a necessidade que tenho em saber se tudo o que fiz poderia tê-lo feito de outra forma. Eu saber que sei não é suficiente, preciso de saber a razão pela qual toda esta problemática interfere com o meu bem-estar neste preciso momento. A razão pela qual fico deprimido ao lembrar-me de tudo. O procurar as respostas só me encaminham para mais dúvidas, e penso que ao deambular por este caminho sinto-me cada vez mais perdido. Acredito que nunca vou encontrar as respostas, acredito que um dia vou resignar-me a esse facto, e ao constatar com tudo isto ainda fico mais constrangido, sinto que estou perdido neste emaranhado de pensamentos, e por vezes necessito de colocar um ponto final nesta frase diária, e recomeçar outra frase ou paragrafo, mas no final do dia coloco as mesmas questões, e por fim coloco outro ponto final. Será isto o Existencialismo?
Muitos autores exploraram e exploram esta temática do existencialismo, mas resta sempre algo por dizer, algo que não consegue ser devidamente explícito. Penso que todo o homem quando nasce é perfeito intelectualmente, uma vez que estão abertos todos os caminhos, mas com o passar nas portagens, vamos perdendo certas habilitações, perdendo-as voluntária e involuntariamente. A criança tem uma perspectiva do universo muito mais criativa e original, penso que se ela guardasse essas capacidades, e juntando-as posteriormente ao conhecimento que até então adquiriu conseguiria ter um panorama muito mais alargado de tudo aquilo que a rodeia. A necessidade de se adaptar o mais rápido possível a todas as rotinas económicas e sociais da nossa sociedade é um dos factores delimitadores dessa capacidade construtivo-intelectual. A cultura organizacional é portanto o principal inimigo do desenvolvimento intelectual, “perfeccionista” e existencialista.
Os cientistas procuram a todo o custo descodificar o código genético, para que a partir daí consigam manipular e controlar o ser humano, enquanto que os “cientistas sociais” procuram descodificar o comportamento humano, tentando quase de uma forma matemática formular uma equação social. O problema que se coloca é a diversidade existencial de cada um, que em si mesmo é diferente. Seria, no entanto, extremamente aliciante encontrar estas respostas. Do foro pessoal, penso que seria quase impossível chegar a tais conclusões, não querendo dizer com isto que concordo ou discordo com tais objectivos das ciências sociais. O que quero dizer é que, ao se descobrir parcial ou totalmente esta fórmula, seria mais fácil educar todas as crianças, reeducar todos os adultos, construir os novos muros na solidariedade humana, compaixão terrestre, perfeita utopia existencial.
O existencialismo é portanto uma disciplina riquíssima quando é abordada e estudada, e com benefícios extremamente proveitosos para todo o ser, mas claro, não podemos é cair no mesmo erro que todas as ciências naturais caíram quando exploraram certos temas que envolviam interesses para além daqueles que deveriam ser essencialmente sociais e não particulares.

Beijos e abraços a todos...

Friday, November 10, 2006

Dilema democrático

Ola a todos,
Caros leitores, em primeiro lugar gostaria de pedir desculpas por nunca mais ter actualizado este blog, mas acreditem que isto se deve ao facto de a minha disponibilidade ser quase nula.
Neste post abdiquei de mais um tema subjectivo e procurei uma temática que me perturba e que penso ser de extrema importância para todos vós, seres humanos pensantes e deliberadamente críticos desta sociedade contemporânea cronologicamente, e muito atrasada intelectualmente.
Nos últimos tempos tenho-me deparado com um dilema interessante, a que eu chamo de “dilema democrático”. A democracia define-se como um regime político governado pelo povo. Ou melhor, o povo no seu todo, sem excepções, escolhe, exercendo o seu direito de voto, um conjunto de indivíduos, partido político, para exercer o respectivo mandato de governação. O problema que se coloca na minha perspectiva é se o voto por si só deve ser generalizado, ou seja, as pessoas que não possuem o mínimo de conhecimentos para poder decidir quem na realidade reúne as condições para exercer tal postura estatal, no caso das legislativas ou presidenciais, deverá exercer o direito de voto?!, não quero com isto dizer que apenas as pessoas com um requisito mínimo de habilitações literárias devem exercer este direito, ou que alguém não deverá votar, o que quero dizer, é que no momento das campanhas eleitorais deverá realizar-se uma correcta transmissão de informação, e não canetas, isqueiros, calendários, bandeiras, e outras fantochadas politicas sem o mínimo de consciência social. Preocupam-se em gastar 25 milhões de euros em material para as campanhas eleitorais, e no que diz respeito a conferencias publicas, sem jantares à mistura, não se pode presenciar a nem uma… E é nestas condições mesquinhas que eu enquanto participador activo na politica nacional tenho que sofrer com os votos de milhares e milhares de portugueses que são “alugados” a votar em determinado partido. É este o “governo do povo para o povo”.
Existem dois tipos de democracias: a democracia directa, em que o povo decide constantemente acerca das decisões a tomar; a democracia representativa, que foi aquela que eu descrevi atrás. Obviamente que uma democracia directa não fazia o mínimo de sentido, uma vez que se as pessoas não têm o mínimo de consciência para escolher um grupo representativo, muito menos têm para decidir a aprovação ou não de uma determinada lei.
O direito a que as pessoas têm de expressar as suas ideia e vontades na praça publica é outra questão interessante, isto porque há quem faça disso uma banalidade, em que a ideia é apenas a consciencialização de palavras de um pensamento perdido no meio do vazio dos seus cérebros. A democracia Portuguesa pode ser caracterizada da seguinte forma: é a vontade de 10 milhões de pessoas numa semana em escolher alguém que decide durante quatro anos. Quem disse que eu queria que decidissem sem pensar?! Quem disse que é correcto, alguém escolher sem saber escolher?! Andar de carro sem carta de condução é crime?!, exercer o papel de médico ou enfermeiro sem o respectivo diploma é crime?!, votar sem ter conhecimentos para tal deveria ser crime?! Recordo que esta minha opinião não se baseia na ideia de que apenas uma elite deve votar, deverão sim votar todos os portugueses, que tenham conhecimentos sobre a situação político-económica do pais, de forma a que consigam à luz das suas concepções escolherem um governo de direita, de esquerda ou do centro, que esteja mais habilitado para poder exercer as suas directrizes enquadradas no respectivo estado do pais. Para isto a prevenção e a cura são apenas uma: a educação.

Beijos e abraços a todos...

Sunday, October 08, 2006

Adoro-te...

Com muita dificuldade, escrevo estas palavras… a penumbra encolhe e abre meus olhos, mas eu resisto após drogas e álcool terem percorrido minhas veias, e digo-te neste ultimo suspiro diário: Adoro-te, como poucos deuses conseguem, e poucas estrelas ousam brilhar. Eu adoro-te como a única coisa que sei fazer…
Eu sei fazer, à quanto sei… Sei porque não sabendo fazer mais nada, valorizo a única que sei. E valorizando a única que sei, sei que a fazendo sinto-me bem…E naquelas ruas apertadas pela chuva que cai, onde as pessoas se acoitam por baixo de varandas de andares, eu deambulo no meio, sem ninguém para estorvar… E como é bom assim sonhar, pelas ruas apertadas das espaçosas mentes humanas. Eu sei que assim a voar, não haverá tempestade que me possa acordar.
Os teus lábios registam o teu pensamento, naquele nascer de palavras, naquele nascer de lamentos. Creio que o dia já morreu pelos subúrbios da noite, creio que o meu já resplandeceu, no leito de teu corpo, onde me deito no teu peito, e suspiro nos teus lábios. Como meu corpo se encaixa no teu, neste deslumbramento, neste perfeccionismo intelectual de se saber estar, de se saber gostar, de se poder amar… são longas estas horas, longas a amar…
Não me desculpo se não souber amar, não me consigo perdoar, pois como vos disse, sendo apenas isto que sei fazer, eu não posso falhar.
Contorno o teu corpo para desvendar todos os pormenores, e ao amar desta forma única e irredutível, descubro que para além de saber amar também gostava de ser amado. É um dilema para o qual a paixão nasceu, ela nasceu para dois seres ao mesmo tempo e se possível no mesmo espaço amarem, se completarem, é este o dilema que eu percorro sempre que pretendo amar. Ah, como eu te adoro, como eu sofro ao fazê-lo, como eu sofro ao dizê-lo… Não por medo de o revelar, mas por medo de o exaltar, de enaltecê-lo no teu pensamento, e perdê-lo no teu espírito.
São tempos de glória, aqueles em que eu reino no meu império, neste ofuscado campo de sentimentos, de lutas pelo trono, de sangue pela conquista, neste terreno em que minha espada corrompeu todas as lágrimas que me fizeram chorar.
Como és linda minha princesa, dona deste trono que era só meu.

Olho para a luz dos teus olhos
e sinto minha alma renascer...
Os teus cabelos desenham ondas
Sem o mar se aperceber...

Tens o dom da beleza
Estampada na tua face...
Tens o véu branco da pureza
A contornar a sua base...

És bela como os anjos...
E não posso jamais duvidar
Dessa bela realidade
Que é a tua face a brilhar!

Deixas meu corpo comprimido,
Meus lábios semiabertos,
E à espera de um beijo teu
Aguardo por meus desejos secretos…

Teu corpo deixa marcas nesta areia,
E nem com a água das marés
Consigo esquecer aqueles dois minutos
Da profunda dor de te deixar de ver....

Beijos e abraços a todos...

Tuesday, September 19, 2006

Liberdade

Liberdade, aquela palavra originária do grego, libertas, que significa independência, que têm que estar associado forçosamente a outra, respondere, também do grego, que significa responsabilidade. Ou seja, temos uma independência ligada a uma responsabilidade, uma liberdade responsável, se preferirem. Até que ponto esta responsabilidade, imposta por regras, leis, directrizes, entre outros, limitam o nosso espaço de manobra para a tal liberdade, para a tal independência?! Obviamente que limita, e muito, mas não poderia existir outra forma de se ser livre, só assim faz sentido ser-se independente, de modo a que ninguém veja os seus direitos, para exercer tal qualidade, presos aos direitos dos outros. Mas nem sempre foi assim, nem sempre todos tiveram os mesmos direitos para exercer a liberdade pela qual todos sonhavam e ambicionavam, foram anos de tristeza e massacre, aqueles em que muitos humanos lutavam e reivindicavam por serem felizes, junto dos seus, junto da glória, junto do amor, bem junto da liberdade.
Hodiernamente, todos nós somos livres, ou melhor, vivemos dizendo que sim, mas pensando e agindo como se não o fossemos. Todos nós nascemos com estas virtudes implementadas nas nossas constituições, e no fundo nunca soubemos o que era ser não livre, nunca acordamos presos à dependência. No final de contas como poderei imaginar-me não livre, se na realidade nunca o fui?! Será que sei ser mesmo independente, não me parece. Nenhum de nós do povo pós 25 de Abril o sabemos fazer, somos umas marionetas que dançamos ao som dos nossos governantes.
E o amor, ele deixa-nos ser livres?! Também não me parece que assim seja. O amor são correntes de aço que nos trancam o coração, que nos prendem a uma felicidade que todos nós ambicionamos. E só nos apercebemos da relação (des)proporcional entre o amor e a liberdade, quando nos falta uma delas. Assim sendo, quando temos um amor mas não a liberdade, não podemos amar conforme a nossa vontade, e quando temos a liberdade e não o amor, sentimo-nos pequenos animais esquartejados e ensanguentados, presos em jaulas de aço, com as pernas acorrentadas e os braços submetidos e rendidos bem atrás, bem no fundo da nossas costas. Apenas o estômago está livre, com aquelas dores intensas e violentas, que nos sufocam os pensamentos.
Ser-se livre vai muito mais para além da constituição da Republica, ela nasce bem no interior do nosso cérebro, e vai até às profundezas do cérebro do outro.
E vocês?! Que me dizem acerca da liberdade?! Melhor, que me dizem acerca da vossa liberdade?!

Deixo-vos com mais um dos meus poemas, um poema escrito com a sensação de se ser livre, livre no respeito e no amor, livre de rigidez, longe das correntes, e bem perto das minhas pirâmides…

Multiplicam-se as equações da vida,
Em busca da solução para o amor...

Escavam-se trincheiras de horrores
Para libertar as almas dos velhos trovadores,
Que há muito tempo,
Muito tempo mesmo,
Perderam seus poderes na ânsia de uns amores....

E nesta profundeza de mágoas,
Aquela calma e tranquilidade,
À muito afogadas…
Eu as tento resgatar das impiedosas garras,
Daquela que foi a mais bela formula da saudade....

Aquelas duas páginas voltadas
Com as cores da liberdade...

Beijos e abraços a todos...